terça-feira, 22 de novembro de 2011
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Mar Adentro
Recordo este filme por contar a tocante e verídica histórica de alguém que deseja morrer, sendo que o mundo (ou a civilização) o impede de tal.
Na civilização ocidental a morte é vista, com frequência, como algo temível, assustador e indesejável. De facto, a morte traz consigo a ausência de alguém e, consequentemente, os sentimentos de dor associados a essa perda. As pessoas vivem agarradas a tudo o que têm, inclusivamente aos outros e a si próprias. Este apego gera uma angústia (elevada) face à inevitabilidade dum acontecimento irreversível. Ou nas palavras duma grande amiga minha: “as pessoas preocupam-se tanto em não morrer, que nem querem saber como vivem”.
O mal-estar gerado por este acontecimento é quase igualado pelo debate do mesmo. Desejar morrer é algo inaceitável numa sociedade que preza a vida como razão última. Recordo um momento do filme em que o pai do protagonista afirma: “pior do que ter um filho morto, é ter um filho que quer morrer”.
O direito à escolha deveria ser um bem essencial numa sociedade evoluída e livre.
A principal dificuldade, no que a este assunto diz respeito, é definir quais as “regras” que serão válidas para uma ou outra situação. Trata-se dum assunto melindroso e exaustivo e, também talvez por essa dificuldade, ainda não se tenha avançado mais neste campo.
Mas o direito a morrer e, consequentemente, a escolher condignamente a vida que se vive não deveveria ser um dos assuntos mais prementes a decidir?
(Nota: trata-se dum belíssimo filme em que a corajosa história de Ramon Sampedro é contada de forma comovente por Alejandro Amenábar e interpretada de modo magistral por Javier Bardem.)
sábado, 19 de novembro de 2011
La Piel Que Habito
Há pessoas que são génios nas respectivas áreas de actuação. É o caso do Sr. Almodovar no que toca à sétima arte.
Amodovar tem o dom de surpreender e exceder-se a cada nova película.
Esta não é excepção. La Piel Que Habito é um dos filmes mais singulares dos últimos anos.
Para além deste dom, Almodovar tem a capacidade de filmar os seus actores e actrizes duma forma única. Todos os personagens almodovarianos possuem particularidades que os tornam belíssimos. Elena Anaya está absolutamente deslumbrante e Banderas parece que se revigorou nesta película. Não sou capaz de me recordar da última vez que o vi, mas parece-me que ganhou anos de vida neste filme, tudo graças à precisão deste realizador ímpar.
É impossível descrever La Piel Que Habito. É uma experiência arrebatadora que cada um deve provar logo que possa, num cinema perto de si.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
The Ides Of March
Não é segredo que nos últimos anos os filmes feitos por ou com George Clooney são dum elevado interesse cultural. Mesmo para quem não seja particularmente fã do senhor (como é o meu caso) há que admitir que parece que ele nasceu para este tipo de papel e a sua apetência por filmes que abordam assuntos complexos e controversos transmite-se nas sucessivas apostas que tem feito.
The Ides Of March é mais um brilhante desafio no que concerne os meandros políticos e as entranhas humanas.
Para além de Clooney, o elenco é duma excelência elevada. Quer Paul Giamatti, quer Philip Symour Hoffman são dois actores geniais. E Ryan Gosling afirma-se mais uma vez como um dos melhores actores actuais. É Gosling que transporta o filme às costas; é no seu olhar que nos colocamos e nos revemos; é, aliás, no seu olhar (vincadamente diferente ao longo da película) que residem alguns dos melhores momentos.
Tive um Professor que dizia que “todos temos um preço”. Desengane-se quem pensa que não se inclui nesta afirmação, porque, efectivamente, todos temos um preço. Pode não se traduzir num valor monetário, mas numa crença ou ente querido; mas em última instância há sempre algo que não estamos dispostos a perder ou a abdicar.
Esta película demonstra de forma magistral o teor desta afirmação e o que pode acontecer quando as regras do jogo se invertem, ou quando somos apanhados num jogo que não queríamos (ou não estávamos aparentemente preparados para) jogar.
Um dos melhores filmes dos últimos tempos. Imperdível!
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
In Time
Vi este filme no dia de estreia (passada quinta-feira) e devo dizer que a premissa é bastante aliciante: num futuro (não muito distante) as pessoas vivem até aos 25 anos, ano a partir do qual a sua aparência não se altera e possuem apenas um ano de vida. Assim, todo o seu trabalho, todos os seus bens essenciais, todo o trading é realizado em tempo. As pessoas compram e vendem horas de vida para (sobre)viver.
Tendo em conta o ritmo de vida do mundo actual, esta temática não podia ser mais certeira para “os tempos que correm”. De facto, o tempo corre e nós corremos cada vez mais atrás dele. Trocamos horas de vida por um salário que nos permita viver confortavelmente, como gostamos de pensar. Assim, em última instância, o ideal será trocar horas de vida por algo em que acreditemos (façanha nem sempre possível no tempo presente).
Há quem diga que existem dois dramas do tempo moderno: a questão do tempo a menos e a problemática do tempo a mais.
Eu acho que o tempo nunca é demais. Simplesmente fomos criados e educados a um ritmo louco, em que possuir horas de vida para o dolce fare niente passam de sonho a pesadelo, de desejo a maldição, porque não fomos preparados para lidar com a abundância de tempo; apenas com a sua escassez.
O próprio filme demonstra que tempo a mais pode bem ser a pior praga que assola o ser humano - afinal é a irrepetibilidade e unicidade de cada momento que tornam a vida tão especial. No entanto, o ser humano tem tendência para buscar repetidamente a eternidade em cada coisa que faz.
Por muito tempo que tenhamos (ou que pareça que temos) verificamos (ou verificaremos) que se trata apenas duma ilusão que passa com brevidade, com a certeza de que nada permanece; sobretudo o tempo.
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Monólogo ou Diálogo com a Morte em O Sétimo Selo
O Sétimo Selo (Det Sjunde Inseglet) de Ingmar Bergman é um dos melhores filmes que já vi.
Esta cena é, particularmente, marcante.
Esta cena é, particularmente, marcante.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
The Bridges Of Madison County
Um dos mais belos filmes que já vi.
O gigante Clint Eastwood encontra a divina Meryl Streep (possivelmente, a melhor actriz de todos os tempos) num melodrama de dimensão mítica.
O filme mostra os momentos que marcam uma vida. Mostra a plenitude. Mostra o momento do desespero da abdicação. Mostra o momento da angústia da aceitação. Mostra o momento de não retorno.
Mas não mostra todo o processo de readaptação que cada um tem de passar, para se voltar a inserir numa realidade mais pobre, amarga e sombria. (Não que a realidade não houvera sempre sido a mesma, mas depois de determinadas vivências, aquilo que tínhamos como felicidade ou normalidade, parece-nos agora mais pobre, mais triste em contraste com os momentos que lhe precederam.) Não mostra a vida que fica após uma existência momentânea, mas esplendorosamente intensa. Não mostra as pequenas lutas diárias ao longo da sinuosa estrada da abdicação e da aceitação. Não mostra o após.
É esta a verdadeira magia do cinema, apenas mostrar a grandiosidade.
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