sábado, 31 de dezembro de 2011

New Year's Eve


Esta semana fui ver o típico filme desta quadra, de nome New Year's Eve. Muitos dirão que estes filmes estão carregados de clichés (não o nego) e que algumas cenas finais deste são bastante irrealistas, mas independentemente desses esperados desfechos, estes filmes não deixam de ser motivadores e positivos, contagiando quem os vê com a alegria característica da época.
New Year's Eve é um filme razoável, que consegue alguns momentos de humor brilhantes.
Apesar dos habituais clichés há aqui algumas nuances bastante curiosas que dão um fôlego diferente a esta experiência cinematográfica.
Não é novidade nenhuma todas as resoluções, sonhos e objectivos que cada um de nós tem anualmente neste momento, bem como a mensagem principal ser sempre saúde, paz e amor. Parece tão banal, mas à medida que o ano vai passando parece ser tão difícil de pôr em prática. Viver em paz connosco e com os outros, viver plenos de amor por nós e pelos que nos rodeiam (o que inclui o chico-esperto que se atravessa na nossa frente, o azelha que teima em atrasar toda a gente ou o palhaço do impaciente atrás de nós) é um lugar-comum, mas não deixa de ser verdade. Até mesmo a saúde, embora nem sempre nas nossas mãos, não deixamos de ter impacto nela, seja no que comemos ou no exercício físico que fazemos (ou que dizemos sucessivamente que vamos fazer no início de cada ano). É urgente sermos mais gentis para connosco e para com os que nos rodeiam, mesmo que aparentemente as pessoas nos retribuam da pior forma possível. A delicadeza e a cortesia tornam o mundo um lugar muito melhor, tal como um sorriso consegue fazer maravilhas e iluminar mesmo os momentos mais negros.

Para que não nos deixemos cair no que Eugénio de Andrade descreveu:

"Passamos pelas coisas sem as ver
Gastos, como animais envelhecidos:
Se alguém chama por nós não respondemos,
Se alguém nos pede amor não estremecemos,
Como frutos de sombra sem sabor,
Vamos caindo ao chão, apodrecidos."

Também nas suas palavras:

"É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
Ódio, solidão e crueldade,
Alguns lamentos,
Muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
Multiplicar os beijos, as searas,
É urgente descobrir rosas e rios
E manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
Impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
Permanecer."

Esta época de balanço relembra-nos que a resiliência está dentro de nós e que tal como o ano se renova, também nós nos podemos renovar.
E é por isso que o discurso da personagem de Hilary Swank, embora aparentemente não traga nada de novo, não deixa de ser bom lembrar e relembrar.

A todos: um 2012 muito FELIZ!!!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Always Like This


"Beauty of mine, sit before me. Let me peruse you and remember you... always like this."
Paul (Marlon Brando) - Ultimo Tango A Parigi

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

If Only


"If only you would have been born a man, what a Caeser you would have been."
Marcus Aurelius (Richard Harris) - Gladiator

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Cena do Circo em Big Fish

Uma das melhores cenas de cinema, nesse feérico e lúcido Big Fish, em que realidade e sonho parecem confundir-se, numa obra que nada mais é do que um hino à vida:

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Beleza Feminina


Há determinados realizadores que têm a capacidade de filmar a mulher duma maneira muito particular. Conseguem enaltecer os traços de cada protagonista feminina e conseguem criar todo um estilo de mulher que associamos de imediato aos filmes desse autor.
Poderia falar de Vadim, Hitchcock, Godard, Truffaut, Tornatore, Antonioni, Fellinni, Bergman; que directa ou indirectamente tinham uma forma peculiar de dar vida ao feminino no grande ecrã. Poderia mencionar tantos outros, mas vou apenas debruçar-me sobre três, do panorama actual, que a meu ver se excedem e se transcendem no acto de filmar este universo.

Começo por Woody Allen: amado por muitos, odiado por outros tantos; uma coisa é certa: Allen tem a capacidade de se debruçar desmesuradamente sobre o universo das relações humanas, particularmente no confronto homem/mulher. As suas protagonistas podem ter personalidades e estilos diversos, mas Allen filma-as com aquilo que parece ser um certo amor pela sua beleza, realçando particularidades de cada uma. Haverá alguém que pense em Mia Farrow ou Diane Keaton e não as imagine de imediato como Allen as filmou? Já nos mais recentes destacam-se Scarlet Johansson, bela por si só, mas que em Match Point é remetida ao patamar dos deuses, ou ainda Penelope Cruz, que (apesar da singularidade da personagem) não parece vulgar em Vicky Cristina Barcelona. Ou ainda tantas outras protagonistas como Rebecca Hall ou Marion Cotillard ou Rachel McAdams, das quais Allen retira da sua simplicidade imagens duma beleza etérea.

Depois, vem o meu preferido: Pedro Almodovar. Embora tenha falado anteriormente de Penelope, devo dizer que não gosto particularmente desta actriz e penso que o único que a filma de forma magistral é Almodovar. Penelope parece ganhar uma nova luz nos filmes deste mestre espanhol, quer em beleza, quer em talento. As suas curvas, as suas formas, a sua voz, o seu sotaque, os seus olhos, os seus lábios, toda ela parece respirar sensualidade nos filmes de Pedro (particularmente na obra-prima Los Abrazos Rotos, que passará esta sexta-feira na RTP2 na sequência do ciclo semanal de cinema dedicado a Almodovar, exibido neste canal). Este mestre espanhol é, a meu ver, a pessoa que mais consegue retirar dos seus actores. Qualquer personagem que Almodovar filma parece-me duma beleza infinita. Quer homens, quer mulheres parece que se revelam no olhar deste cineasta, passando muitos de larva a borboleta, tal é a capacidade de Almodovar sorver o melhor dos seus protagonistas e imagens. No mais recente La Piel Que Habito, Elena Anaya aparece deslumbrante e até mesmo Antonio Banderas parece rejuvenescer. Acho que a capacidade de filmar a beleza e trazer o melhor dos seus actores é uma característica intrinsecamente almodovariana, a qual enriquece as imagens que nos traz de forma soberba.

Por último, vem o mais marcante de todos: David Lynch. O universo de Lynch é muito sui generis e as suas protagonistas também. O realizador consegue captar um certo lado negro e uma beleza dramática de qualquer actriz que passe nas suas mãos. Laura Dern, Isabella Rosselini, Naomi Watts, Patricia Arquette e Laura Helena Harring (o que aconteceu a esta promissora actriz???) metamorfoseiam-se nas mãos de Lynch. Dern é a musa mais querida, aquela que mais povoa o imaginário lynchiano. Watts foi descoberta nesse magnífico e enigmático Mulholland Drive, sendo hoje em dia uma das mais talentosas e camaleónicas actrizes de Hollywood. E, talvez à excepção desta última, sempre que pensamos na beleza duma das outras mulheres, são as imagens de Lynch que nos assaltam.

Filmar é uma arte. Há imagens que marcam e há protagonistas femininas que associaremos de imediato a um determinado estilo de realização, pela notável maneira de memorizar a beleza duma mulher, numa tela para a posteridade.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

The More You Know



 "The more you know who you are, and what you want, the less you let things upset you."
Bob Harris (Bill Murray) - Lost In Translation

domingo, 25 de dezembro de 2011

Dead Poets Society




Um dos melhores filmes que vi, um dos melhores livros que li.
Esta obra recupera de forma intensa a inocência da juventude, com todos os seus sonhos, angústias e dúvidas.
É uma obra maior porque mostra a importância que o exemplo tem no imaginário juvenil. O professor é um ser extraordinário por poder inspirar pessoas, moldando-lhes ideias e visões. O Professor pode inspirar cada um a pensar, a descobrir-se a si próprio, a explorar cada recanto de si, de modo a poder aceder às ferramentas de gestão do seu próprio ser.
Um leque de jovens e talentosos actores, encabeçados pelo Captain Robin Williams dão vida a uma das mais belas histórias de sempre, tendo como base a poesia.
As palavras têm uma força desmesurada (sobretudo na idealista mente da juventude) e a poesia é a maneira de “morder como quem beija”. É o modo de dizer de forma bela o que é vulgar ou expor de forma simples o que parece inexplicável. É a delícia dos olhos, o deleite da boca, o delírio dos ouvidos. Ou nas magníficas palavras que dão início a Folhas Caídas de Garrett (que li quando tinha a idade dos protagonistas do filme e, tal como eles, fiquei maravilhada pela magia da poesia):

"O meu deus desconhecido é realmente aquele misterioso, oculto e não definido sentimento de alma que a leva às aspirações de uma felicidade ideal, o sonho de oiro do poeta.
Imaginação que porventura não se realiza nunca. E daí quem sabe? A culpa é talvez da palavra, que é abstracta de mais. Saúde, riqueza, miséria, pobreza, e ainda coisas mais materiais, como o frio e o calor, não são senão estados comparativos, aproximativos. Ao infinito não se chega, porque deixava de o ser em se chegando a ele.
Logo o poeta é louco porque aspira sempre ao impossível. Não sei. Essa é uma disputação mais longa.
Mas sei que as presentes Folhas Caídas representam o estado de alma do poeta nas variadas, incertas e vacilantes oscilações do espírito, que, tendendo ao seu fim único, a posse do ideal, ora pensa tê-lo alcançado, ora estar a ponto de chagar a ele - ora ri amargamente porque reconhece o seu engano - ora se desespera de raiva impotente por sua credulidade vã.
Deixai-o passar, gente do mundo, devotos do poder, da riqueza, do mando, ou da glória. Ele não entende bem disso, e vós não entendeis nada dele.
Deixai-o passar, porque ele vai onde vós não ides; vai, ainda que zombeis dele, que o calunieis, que o assassineis. Vai, porque é espírito, e vós sois matéria.
E vós morrereis, ele não. Ou só morrerá dele aquilo em que se pareceu e se uniu convosco. E essa falta, que é a mesma de Adão, também será punida com a morte.
Mas não triunfeis, porque a morte não passa do corpo, que é tudo em vós, e nada ou quase nada no poeta."


“I went to the woods because I wanted to live deliberately,
I wanted to live deep and suck out all the marrow of life,
To put to rout all that was not life and not when I had come to die
Discover that I had not lived.”

É o trecho que inicia cada sessão do Clube que dá nome ao filme, Clube esse que ao qual todos almejamos pertencer, essa intrínseca necessidade de pertença juvenil.
E estes versos de Thoreau exprimem de forma singular essa busca pela liberdade e a verdade, que se procura, sobretudo, quando se é jovem e se acredita em ideais e os sonhos ainda não foram desmistificados pela máquina. Apenas a natureza consegue restituir essa pureza de espírito, daí os versos serem tão vivos.
Uma ode à poesia e à vida.