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sexta-feira, 15 de setembro de 2023
terça-feira, 1 de fevereiro de 2022
Everything He Sees
"He remembers those vanished years,
As though looking through a dusty window pane,
The past is something he could see but not touch
And everything he sees is blurred and indistinct."
In the Mood for Love
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
sábado, 26 de outubro de 2013
Sugestão para Filme ou A Minha História de Amor com Chico
Gosto de achar que o Chico é só meu, mas na verdade Chico Buarque é uma maravilha do Brasil, uma maravilha da língua portuguesa, é uma maravilha do mundo. Chico é o maior poeta vivo. A sua música influenciou milhões de pessoas e toca várias gerações.
A encantadora doçura das suas melodias é universal. Já a força avassaladora das suas letras está apenas reservada para quem compreende a língua portuguesa.
A língua portuguesa tem a particularidade de ser rica e vasta e o brasileiro tem um sotaque irresistível que torna o idioma muito mais aberto, mais carinhoso. É a ternura vocal que invade o idioma quando se escuta o brasileiro falando português.
Há sempre algo que fica perdido na tradução quando se tenta reproduzir noutros idiomas certas expressões. A ideia pode transparecer, mas a beleza daquelas palavras ou sons fica mais pobre, mais despida da sua essência.
Chico Buarque de Holanda compôs músicas inacreditáveis. Os versos que dão vida às suas letras são duma grandiosidade simples, apenas igualada pelas singelas melodias que normalmente as acompanham.
Chico não tem uma voz possante, a sua voz é muitas vezes como um tímido passarinho que soa gentilmente, quase como se murmurasse. Mas é justamente essa doçura, esse despretensiosismo, que realça os versos, tornando-os descomunais.
A primeira vez que ouvi Chico já estava na faculdade: caloirissíma. Decidi requisitar uns CDS ao vivo (álbum duplo) na biblioteca desse mui nobre lugar. Apaixonei-me! Essa história de amor dura até hoje. A capacidade que Chico tem de tocar o coração humano com as suas letras e melodias é inexplicável, apenas comparada à força que o amor exerce sobre os sentidos.
Chico fala sobre a revolta de um povo:
"Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu
(...)
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente"
Sobre a injustiça:
"Pela varanda
Flores tristes e baldias
Como a alegria
Que não tem onde encostar
E aí me dá uma tristeza
No meu peito
Feito um despeito
De eu não ter como lutar
E eu que não creio
Peço a Deus por minha gente
É gente humilde
Que vontade de chorar"
Sobre a alegria e alívio que a distracção carnavalesca traz consigo:
"Dormia
A nossa pátria mãe tão distraída
Sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações
Seus filhos
Erravam cegos pelo continente
Levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais
E um dia, afinal
Tinham direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia
Que se chamava carnaval
O carnaval, o carnaval
(Vai passar)"
Sobre o amor insubstituível que se tem pela pátria:
"Quando eu morrer
Cansado de guerra
Morro de bem
Com a minha terra"
Letras que lhe valeram o exílio, numa época em que o Brasil era dominado a ferro e fogo.
Canta sobre o malandro:
"Eu fui fazer um samba em homenagem
à nata da malandragem, que conheço de outros carnavais.
Eu fui à Lapa e perdi a viagem,
que aquela tal malandragem não existe mais."
Sobre a rotina:
"Todo dia eu só penso em poder parar;
Meio-dia eu só penso em dizer não,
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão."
E sobre todos os contraditórios sentimentos que assolam quem vive.
Sobre a mulher que passa:
"Passas em exposição
Passas sem ver teu vigia
Catando a poesia
Que entornas no chão."
Sobre o João e Maria:
"E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país
Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Vem, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido."
Sobre a separação:
"Trocando em miúdos, pode guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós
As marcas de amor nos nossos lençóis
As nossas melhores lembranças
Aquela esperança de tudo se ajeitar
Pode esquecer
Aquela aliança, você pode empenhar
Ou derreter
Mas devo dizer que não vou lhe dar
O enorme prazer de me ver chorar
Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago
Meu peito tão dilacerado"
Sobre a traição:
"Te perdôo
Por ergueres a mão
Por bateres em mim
Te perdôo
Quando anseio pelo instante de sair
E rodar exuberante
E me perder de ti
Te perdôo
Por quereres me ver
Aprendendo a mentir (te mentir, te mentir)"
Sobre o que não se pode explicar por palavras:
"Me escutas, Cecília?
Mas eu te chamava em silêncio
Na tua presença
Palavras são brutas
Pode ser que, entreabertos
Meus lábios de leve
Tremessem por ti"
Sobre o inexplicável percurso de quem ama:
"Ah, eu quero te dizer
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer
De tanto te esperar
Eu quero te contar
Das chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus"
Sobre o desencontro:
"Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar
E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos
Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização
Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você"
Sobre os sentimentos violentos:
"Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir"
Sobre o desejo:
"O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
E me crava os dentes"
Sobre as noites de samba e amor (particularmente belas na voz de Bebel Gilberto):
"Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã
Escuto a correria da cidade que arde
E apressa o dia de amanhã"
Como é que se pode dizer tanto com palavras tão simples, tão singelas, tão leves como um floco de neve a pousar num manto branco?
É difícil compreender a força da poesia, os efeitos que tem no coração humano. O deslumbramento que a beleza das palavras provoca na visão e nos ouvidos é quase tão arrebatadora como a força do olfacto ou do toque.
Um poeta assim só pode ter tido uma vida inspiradora.
Porque não dedilhar esta dádiva no cinema?
sábado, 14 de setembro de 2013
A Mitologia Nórdica na Sétima Arte
A mitologia nórdica é rica em histórias curiosas, como aliás grande parte das crenças que o ser humano criou com base numa imaginação muito fértil e no comportamento dos elementos naturais que o rodeiam. À semelhança de outras, também a mitologia escandinava é povoada por deuses apelativos e complexos, que personificam emoções humanas e forças da natureza.
Esta mitologia é muito mais baseada no culto do que na metafísica, ou seja, trata-se de uma religiosidade vivida através de rituais ou festividades em honra dos deuses ou ancestrais, ignorando o suicídio, a revolta ou o desespero e, acima de tudo, a dúvida ou o absurdo, tratando-se portanto, segundo certos historiadores, duma "religião de vida".
A característica de destaque da mitologia nórdica é que os dois grandes polos que se opõe são a ordem e o caos, ao contrário de grande parte das crenças em que temos o bem por oposição ao mal.
The Mask é um cómico exemplo disso mesmo. A máscara que Jim Carrey coloca e dá nome ao filme é representativa do Deus Loki, a mais complexa divindade da mitologia escandinava, personificação da travessura e do caos. Essa característica é notória nas loucuras que Stanley Ipkiss vai cometendo ao longo do filme, derivadas da sua enorme descontracção a partir do momento em que o objecto se apodera de si.
Outro ponto que distingue a crença escandinava são os centros de fé. As tribos germânicas não tinham templos de fé, como é tradicional da maioria dos povos e como os conhecemos na actualidade. Usualmente, o culto era prestado em bosques sagrados. Esta característica é particularmente familiar para quem acompanha a cinematográfica série televisiva Guerra dos Tronos, inspirada na obra-prima de George R. R. Martin "As Crónicas Do Gelo E Do Fogo". Na história, as famílias do norte, nomeadamente o clã Stark, prestam culto aos deuses antigos e o local de adoração é junto a determinadas árvores em bosques sagrados, especialmente reservados para o efeito. O culto poderia também ocorrer em casas ou em altares de pedras empilhadas.
A mitologia nórdica é constituída por nove mundos, bastante explorados por J. R. R. Tolkien no universo fantástico de Lord of the Rings, tranposto de forma brilhante para o cinema por Peter Jackson na trilogia do mesmo nome e na, actualmente em rodagem, trilogia de The Hobbit. Tolkien criou verdadeiros mundos dentro dum universo de imaginação e grande parte das duas paisagens e dos seus habitantes derivam de muitas descrições da mitologia nórdica. Jackson não só deu vida cinematográfica a todo esse cenário deslumbrante, como recriou mesmo o espaço de habitação dos hobbits na Nova Zelândia. The Shire ganhou assim vida para lá dos livros ou do grande ecrã.
Para além dos deuses e criaturas sobrenaturais, a mitologia debruçava-se também sobre heróis e reis, sendo que muitos deles provavelmente terão existido. Um dos casos seria Beowulf, que teve recentemente uma adaptação ao cinema, sendo um dos pioneiros na massificação do cinema 3D.
Os nomes dos deuses nórdicos deixaram traços no vocabulário moderno, nomeadamente no nome dos dias da semana.
Inicialmente os dias da semana em latim foram designados como Sol, Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter, Vénus e Saturno. Os nomes de terça a sexta-feira, em inglês e nas línguas escandinavas, foram substituídos completamente pelos equivalentes germânicos dos deuses romanos. Em inglês, Saturno não foi substituído, enquanto sábado foi renomeado após a definição do sabbath em alemão, e é chamado "dia da lavagem" na Escandinávia.
Os deuses em destaque são:
ODIN
Filho de Bor, Odin é o Deus da Guerra e da Sabedoria. A Sabedoria foi adquirida em troca de um olho, preço estipulado para poder beber da Fonte de Mimir, de onde obteve esse dom.
Wotan, para os povos germânicos e Woden para os anglo-saxónicos é também o Deus dos Mortos.
Casado com a Deusa Frigg (Deusa da Terra) com quem teve Thor e Balder.
Odin é geralmente representado usando um grande manto balançando ao vento e um chapéu de abas largas, com a lança Gungnir na mão.
Há dois corvos que estão sempre com Odin: Huginn (Pensamento) e Muninn (Memória) e dois lobos: Geri e Freki. O seu cavalo Sleipnir, tem oito pernas.
Quando sentado no trono, Odin pode ver tudo o que acontece nos nove mundos.
Casado com a Deusa Frigg (Deusa da Terra) com quem teve Thor e Balder.
Odin é geralmente representado usando um grande manto balançando ao vento e um chapéu de abas largas, com a lança Gungnir na mão.
Há dois corvos que estão sempre com Odin: Huginn (Pensamento) e Muninn (Memória) e dois lobos: Geri e Freki. O seu cavalo Sleipnir, tem oito pernas.
Quando sentado no trono, Odin pode ver tudo o que acontece nos nove mundos.
THOR
Donar, para os povos germânicos, é casado com Sif.
Thor é o segundo na hierarquia dos deuses e é o seu maior guerreiro e seu guardião. Conhecido como Deus do Trovão e dos Céus, é também Deus da fertilidade.
Thor era o mais amado e o mais respeitado dos deuses nórdicos. Os Vikings chamavam a si próprios "O Povo de Thor." Como deus da fertilidade, Thor era também particularmente adorado por agricultores e era invocado para partos bem sucedidos.
Símbolo de lei e ordem, Thor é representado como figura alta de barbas vermelhas, sempre com o martelo Mjollnir na mão. Mjollnir foi feito pelos anões e tem o poder de retornar às mãos de Thor após arremessado contra um inimigo.
Existe um filme totalmente baseado neste Deus, cujo título é justamente Thor:
Thor é o segundo na hierarquia dos deuses e é o seu maior guerreiro e seu guardião. Conhecido como Deus do Trovão e dos Céus, é também Deus da fertilidade.
Thor era o mais amado e o mais respeitado dos deuses nórdicos. Os Vikings chamavam a si próprios "O Povo de Thor." Como deus da fertilidade, Thor era também particularmente adorado por agricultores e era invocado para partos bem sucedidos.
Símbolo de lei e ordem, Thor é representado como figura alta de barbas vermelhas, sempre com o martelo Mjollnir na mão. Mjollnir foi feito pelos anões e tem o poder de retornar às mãos de Thor após arremessado contra um inimigo.
Existe um filme totalmente baseado neste Deus, cujo título é justamente Thor:
FREYJA
Filha de Njord e irmã gémea de Freyr, Freyja é a maior das deusas da fertilidade. É a deusa do amor e também da morte. A beleza de Freyja é legendária. Havia sido esposa de Odin, que a trocou por Frigg, pois este achou que ela dedicava mais atenção a enfeites do que a ele.
Há uma lenda de quando ela encontra, numa caverna, quatro anões - habilidosos artífices - com os quais ela vê um colar de ouro de incrível beleza (o Colar de Brisings). Freyja insiste com os anões para que eles lho vendam, mas eles só aceitam vender o colar por um preço: que ela durma com cada um deles. Ela concorda. Loki vê o que se passa e conta a Odin, que fica furioso e manda Loki tirar o colar a Freyja.
Há teorias que defendem que Freyja e Frigg são a mesma Deusa ou são inspiradas na mesma figura mitológica.
Há uma lenda de quando ela encontra, numa caverna, quatro anões - habilidosos artífices - com os quais ela vê um colar de ouro de incrível beleza (o Colar de Brisings). Freyja insiste com os anões para que eles lho vendam, mas eles só aceitam vender o colar por um preço: que ela durma com cada um deles. Ela concorda. Loki vê o que se passa e conta a Odin, que fica furioso e manda Loki tirar o colar a Freyja.
Há teorias que defendem que Freyja e Frigg são a mesma Deusa ou são inspiradas na mesma figura mitológica.
TYR
Tiwar, para os povos germânicos, filho de Odin, segundo umas fontes, e filho do gigante Hymir, segundo outras. Tyr é o Deus da Batalha.
Temos, então:
Segunda-feira - Monday: dia da Lua
Terça-feira - Tuesday: dia de Tyr
Quarta-feira - Wednesday: dia de Odin (Woden)
Quinta-feira - Thursday: dia de Thor
Sexta-feira - Friday: dia de Freyja
Sábado - Saturday: dia de Saturno
Domingo - Sunday: dia do Sol
Estes são apenas alguns exemplos de obras mais recentes que se inspiraram na riqueza da mitologia nórdica. Para além destas obras, temos todo o universo viking, tão em voga nos dias que correm.
É fácil perceber, que a complexidade desta crença poderia e pode continuar a dar origem a filmes (universos literários e televisivos) de culto.
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Into The Wild Revealed
A força do cinema e da literatura na resolução dum misterio e na contribuição para a Humanidade se tornar mais informada:
http://www.newyorker.com/online/blogs/books/2013/09/how-chris-mccandless-died.html
http://www.newyorker.com/online/blogs/books/2013/09/how-chris-mccandless-died.html
quarta-feira, 25 de julho de 2012
sexta-feira, 6 de abril de 2012
O Cinema e As Paisagens
A força do cenário envolvente no cinema é tão poderosa como a história, os actores, o enredo ou a música.
O mítico deserto americano (ou a ansiada road trip) povoa o imaginário do mundo (ou pelo menos o meu), sobretudo graças ao cinema.
O mítico deserto americano (ou a ansiada road trip) povoa o imaginário do mundo (ou pelo menos o meu), sobretudo graças ao cinema.
As paisagens ganham nova vida nas mãos de determinados realizadores e são eternizadas no grande ecrã, como se de grandes divas se tratassem.
Acho que nunca nenhuma lugar foi tão imortalizado e celebrado no cinema como Nova Iorque - a cidade cinematográfica por excelência. Qualquer pessoa que vá à Big Apple sente, de imediato, que foi transportado para o grande ecrã (ou para a sua parente afastada: a caixinha mágica). Em qualquer esquina nos cruzamos com cenários familiares, em que diversos personagens viveram as mais rocambolescas peripécias.
Dificilmente os americanos verão o resto do mundo como os cinéfilos vêem alguns dos lugares mais emblemáticos dos Estados Unidos da América, com uma familiaridade atroz.
Esses lugares tornaram-se emblemáticos e são hoje familiares graças ao cinema.
Essa capacidade de imortalizar os cenários fica gravada no imaginário do mundo: a Fontana di Trevi em La Dolce Vita, o deserto em The English Patient, Petra em Indiana Jones And The Last Crusade ou Veneza em The Wings Of The Dove, entre muitos e muitos outros espaços apaixonantes. Recordo Before Sunrise que eternizou Viena duma maneira muito particular. Recordo a cena final em que são revisitados todos os lugares da cidade por onde os protagonistas passaram.
A arquitectura dos espaços na tela é o enquadramento e o protagonismo que a cidade tem ao longo do desenrolar da história.
As nossas terras lusas têm esse lado cinematográfico forte de grandes divas do cinema.
As paisagens ganham uma força colossal se forem captadas de forma mágica pela sétima arte.
Dificilmente os americanos verão o resto do mundo como os cinéfilos vêem alguns dos lugares mais emblemáticos dos Estados Unidos da América, com uma familiaridade atroz.
Esses lugares tornaram-se emblemáticos e são hoje familiares graças ao cinema.
Essa capacidade de imortalizar os cenários fica gravada no imaginário do mundo: a Fontana di Trevi em La Dolce Vita, o deserto em The English Patient, Petra em Indiana Jones And The Last Crusade ou Veneza em The Wings Of The Dove, entre muitos e muitos outros espaços apaixonantes. Recordo Before Sunrise que eternizou Viena duma maneira muito particular. Recordo a cena final em que são revisitados todos os lugares da cidade por onde os protagonistas passaram.
A arquitectura dos espaços na tela é o enquadramento e o protagonismo que a cidade tem ao longo do desenrolar da história.
As nossas terras lusas têm esse lado cinematográfico forte de grandes divas do cinema.
As paisagens ganham uma força colossal se forem captadas de forma mágica pela sétima arte.
domingo, 11 de março de 2012
A Magia Do Cinema
O cinema foi uma invenção magnífica. Já o disse antes, mas não me canso de me deslumbrar com esta maravilha e, consequentemente, de a enaltecer.
Imagino como terá sido a primeira projecção de cinema e deverá ter sido uma sensação única e incomparável. Embora em patamares diferentes, a primeira projecção de cinema seria como os primeiros homens que se aventuraram pelo mar desconhecido, quando o mundo era um enorme ponto de interrogação cheio de monstros ou lendas e a sua dimensão era absurdamente ignorada. Algo que nenhum de nós sabe o que é, porque vivemos com o cinema e, mais concretamente, com o seu parente doméstico desde que nos conhecemos. E, como tal, o hábito das imagens, das mais realistas às mais surreais, nos entrarem pelos olhos é já parte de nós.
Nunca saberemos o que é experienciar o mundo tal como se nos apresenta a invadir o nosso olhar através dum simples ecrã. Para nós é natural. Está enraizado. Visitar os locais é diferente de os ver no grande ecrã, mas desconfio que nada - quer do bom, quer no mau - nos deslumbrará da mesma maneira de como seria antes do cinema levar o mundo às pessoas.
Viajar no espaço, visitar o outro lado do mundo ou experienciar os mais diversos universos será certamente diferente do que ir ao cinema, mas já não tem aquele impacto de novidade, porque todas as experiências já as vivemos na sala da magia.
O cinema é o mais próximo dos sonhos que se pode estar.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
FantasPorto
Sim, sim: eu sei!!! Semana de Fantas no Porto - já lhe devia ter dedicado algumas linhas... Sobretudo porque na quinta fui ver um dos filmes (que em breve comentarei), mas fiquei tão abananada com o espectáculo que as palavras se esgotaram...
Esta é a época em que o Porto se enche de magia, invadido pelo cinema fantástico.
Abriu com um filme que estreia na próxima quinta (e que aguardo ansiosamente porque não vi na passada sexta) de nome Shame. E trouxe de novo esse mítico e fantástico filme de Ridley Scott: Blade Runner. Porque o futuro é agora!
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
2012: And The Winner Is
Nunca pensei que a Academia fosse realmente atribuir o prémio máximo a uma produção franco-belga, a preto e branco e com música como único ruído. Parece que Jorge Leitão Ramos tinha razão e o The Artist foi mesmo o filme da noite.
Num ano com pelo menos três filmes duma genialidade imensa, em que dois deles são homenagem à mais bela das artes, os cinéfilos deste mundo (opiniões à parte) não podiam estar mais felizes!!!
domingo, 26 de fevereiro de 2012
2012: And The Oscar Goes To...
E chegou uma das noites mais esperadas do ano, no mundo cinematográfico: a atribuição dos Óscares da Academia.
Este ano é a 84ª cerimónia desde que os prémios começaram a ser entregues.
Os Óscares valem o que valem (mesmo que viva mil anos não conseguirei compreender como deram o Óscar de melhor actor secundário a Tommy Lee Jones pelo The Fugitive e não a Ralph Fiennes pelo Schindler's List (ou até mesmo a qualquer um dos restantes actores nomeados, o que inclui Ben Kingsley também no filme de Spielberg)), mas independentemente do que as pessoas do meio cinematográfico digam (que normalmente tendem a desvalorizar o prémio, sobretudo se já tiverem um...) ou os admiradores de cinema pensem, é sempre um momento esperado que muitas vezes espelha alguns dos filmes de elevada qualidade do ano em questão (e, consequentemente, a enorme lista de "esquecidos" de igual calibre). Ansiados secretamente ou esperados com expectativas, os Óscares são um acontecimento.
Esta época é caracterizada pelas apostas e opiniões de cada um e, como tal, O Cantinho não será excepção.
Estes prémios resumem-se a opiniões. Os que consideramos os melhores podem ou não ser considerados pela Academia ou pelos restantes admiradores da sétima arte. Por isso não irei desancar nos que gostei menos (Hello!!! Jorge Leitão Ramos que escreveu ontem um artigo dedicado ao tema na revista Actual do Expresso); ainda não sabemos se o The Artist vai ou não ganhar e, além disso, muitos de nós consideram Dujardin (bastante) superior a Clooney (ok: eu sou suspeita porque considero as interpretações de Clooney sempre semelhantes e insípidas). E também não irei fazer longas dissertações sobre todas as categorias, até porque sou uma leiga na maioria delas (senão mesmo em todas..), nem irei fazer comentários do tipo "o actor d'O Artista é desconhecido e, como tal, não vai ganhar" (Hello!!! jornalista que falava hoje pelas 15h na Antena 3); o Senhor Dujardin é um dos comediantes mais conhecidos da Europa, embora desconhecido para o grande público, tem uma longa carreira e é extremamente popular em França, já para não falar do seu enorme talento, vezes e vezes sem conta demonstrado.
O chamado Full Five: Filme, Realizador, Actor, Actriz e Argumento (até hoje apenas atingido por três filmes da história: It Happened One Night, One Flew Over The Cuckoo's Nest e Silence Of The Lambs), serão porventura os mais emblemáticos e mais familiares do grande público e, como tal, serão os únicos (e respectivas variantes) em que me irei debruçar.
E as minhas apostas são:
Filme: Hugo
Realizador: Martin Scorsese - Hugo
Actor Principal: Jean Dujardin - The Artist
Actriz Principal: Glenn Close - Albert Nobbs
Argumento Adaptado: Alexander Payne, Nat Fazon & Jim Rash - The Descendants
Argumento Original: Michel Hazanavicius - The Artist
Actriz Secundária: Janet McTeer - Albert Nobbs
Actor Secundário: (Tendo em conta que ainda não vi o Warrior nem o Extremely Loud & Incredibly Close) Christopher Plummer - The Beginners
E se fosse eu a decidir:
Filme: The Tree Of Life
Realizador: Martin Scorsese - Hugo
Actor Principal: Jean Dujardin - The Artist
Actriz Principal: Michelle Williams - My Week With Marilyn
Argumento Adaptado: John Logan - Hugo
Argumento Original: Michel Hazanavicius -The Artist
Actriz Secundária: Bérenice Bejo - The Artist
Actor Secundário: (Tendo em conta que ainda não vi o Warrior nem o Extremely Loud & Incredibly Close) Christopher Plummer - The Beginners
Mais logo já iremos descobrir o que os membros da Academia nos reservaram para hoje.
And the winner is...
domingo, 12 de fevereiro de 2012
O Cinema e O Sentido Da Vida
Porque estamos aqui? Qual o objectivo de tudo? O que é a morte?
Apenas algumas questões que perturbam o ser humano, embora as tentemos esconder no fundo duma rotina diária ou duma existência controlada (nonsense ou imprescindível para não endoidecermos?).
Apenas algumas questões que perturbam o ser humano, embora as tentemos esconder no fundo duma rotina diária ou duma existência controlada (nonsense ou imprescindível para não endoidecermos?).
Esta era a temática base dos filmes desse génio cinematográfico de nome Ingmar Bergman.
Morangos Silvestres e O Sétimo Selo são duma genialidade imensa. Ambos atravessam os "porquês" do universo humano. O sentido do todo e de tudo isto.
Penso que essa é, acima de tudo, a questão que reside: porquê? À semelhança dos temas fundamentais do meu queridíssimo Dostoievski, também este realizador se debruça sobre a fé ou o sentido de tudo. Sobre se vale ou não a pena permanecer numa existência que não se escolheu e se vale ou não a pena oferecer essa existência a um novo ser.
Bergman tem ainda uma outra característica (tão sua) de (nos) levar de volta à infância. A infância como representante duma inocência, em que a nossa visão está condicionada pelo nosso próprio pensamento. A infância (ou inocência?) como sinónimo de alegria, conforto, dias solarengos e até mesmo da própria felicidade. A eterna luz e o acolhedor sol que só a juventude dá. Será por isso que se gosta tanto de voltar à infância? Será por isso que nos recordamos tão nitidamente de determinados e poderosos pormenores de cada momento marcante (os pormenores…sempre os pormenores)? Será por isso que nos sentimos tão bem com quem nos transmite (mesmo que ilusoriamente – porque o que vemos depende apenas e tão só de nós mesmos -) essa certa luz, como se regressássemos à infância ou (mais precisamente) a uma inocência perdida?
Bergman tem ainda uma outra característica (tão sua) de (nos) levar de volta à infância. A infância como representante duma inocência, em que a nossa visão está condicionada pelo nosso próprio pensamento. A infância (ou inocência?) como sinónimo de alegria, conforto, dias solarengos e até mesmo da própria felicidade. A eterna luz e o acolhedor sol que só a juventude dá. Será por isso que se gosta tanto de voltar à infância? Será por isso que nos recordamos tão nitidamente de determinados e poderosos pormenores de cada momento marcante (os pormenores…sempre os pormenores)? Será por isso que nos sentimos tão bem com quem nos transmite (mesmo que ilusoriamente – porque o que vemos depende apenas e tão só de nós mesmos -) essa certa luz, como se regressássemos à infância ou (mais precisamente) a uma inocência perdida?
"Quando era pequeno - muito pequeno, talvez oito ou nove anos - lembro-me de estar deitado na banheira, em casa dos meus pais, a ler um livro de quadradinhos. Era uma aventura do David Crockett, o desbravador do Kentucky e do Tenessee, que haveria de morrer na mítica batalha do Forte Álamo. Nessa história, o David Crockett era emboscado por um grupo de índios, levava com um machado na cabeça, ficava inconsciente e era levado prisioneiro para o acampamento índio. Aí, dentro de uma tenda, havia uma índia muito bonita - uma «skaw», na literatura do Far-West - que cuidava dele, dia e noite, molhando-lhe a testa com água, tratando das suas feridas e vigiando o seu coma. E, a certa altura, ela murmurava para o seu prostrado e inconsciente guerreiro: «não te deixarei morrer, David Crockett!»
Não sei porquê, esta frase e esta cena viajaram comigo para sempre, quase obsessivamente. Durante muito tempo, preservei-as à luz do seu significado mais óbvio: eu era o David Crockett, que queria correr mundo e riscos, viver aventuras e desvendar Tenessees. Iria, fatalmente, sofrer, levar pancada e ficar, por vezes, inconsciente. Mas ao meu lado haveria sempre uma índia, que vigiaria o meu sono e cuidaria das minhas feridas, que me passaria a mão pela testa quando eu estivesse adormecido e me diria: «não te deixarei morrer, David Crockett!» E, só por isso, eu sobreviveria a todos os combates.
Banal, elementar.
Porém, mais tarde, comecei a compreender mais coisas sobre as emboscadas, os combates e o comportamento das índias perante os guerreiros inconscientes. Foi aí que percebi que toda a minha interpretação daquela cena estava errada: o David Crockett representava sim a minha infância, a minha crença de criança numa vida de aventuras, de descobertas, de riscos e de encontros. Mas mais, muito mais do que isso: uma espécie de pureza inicial, um excesso de sentimentos e de sensibilidade, a ingenuidade e a fé, a hipótese fantástica da felicidade para sempre. Esse era o mundo que eu tinha entrevisto nesse dia longínquo da minha infância e que me cabia tentar defender o resto da minha vida. Então, eu era antes a índia, que não podia deixar que se apagasse essa imagem e o seu sentido e que teria de repetir incontáveis vezes ao mais fundo de mim mesmo - lá onde jazia, inconsciente, o David Crockett - que não o deixaria morrer."
Miguel Sousa Tavares
Nós podemos abafar todas as dúvidas existenciais ao longo duma existência sem tempo, mas elas nunca deixarão de existir.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Casa Viva no Porto
Antes de mais é de felicitar a Casa Viva e o que ela representa.
Numa excelente iniciativa da Casa Viva no Porto serão exibidos diversos filmes aos domingos e segundas a partir do próximo fim de semana.
Poderão encontrar mais informações aqui:
http://casa-viva.blogspot.com/
Contribuição de ISL
Numa excelente iniciativa da Casa Viva no Porto serão exibidos diversos filmes aos domingos e segundas a partir do próximo fim de semana.
Poderão encontrar mais informações aqui:
http://casa-viva.blogspot.com/
Contribuição de ISL
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Cinema no Porto
E porque Coimbra não é a única cidade que festeja cinema, aqui ficam as informações sobre o ciclo de cinema italiano do Teatro Campo Alegre no Porto, a decorrer todas as terças até Março:
http://www.vousair.com/agenda/details/4712-ciclo-classicos-do-cinema-italiano.html
http://www.vousair.com/agenda/details/4712-ciclo-classicos-do-cinema-italiano.html
Cinema em Coimbra: Inspiração!
Hoje à noite será exibido o Paris Texas de Wim Wenders no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, numa magnífica iniciativa cultural.
Confesso que nunca vi este filme, mas tenciono mudar isso em breve. E, com este mote inspirador, não tenho como adiar muito mais uma obra desta envergadura. Se pudessemos ir todos até Coimbra hoje à noite, certamente teríamos uma experiência cinematográfica mágica.
Espero que esta iniciativa (sobre a qual poderão ler mais aqui: http://www.cnoticias.net/?p=63819) se comece a espalhar por diversas cidades brevemente. E, até lá, podemos sempre tentar acompanhar o apelativo cartaz previsto para o Mosteiro, que exibirá todas as terças-feiras obras cinematográficas desde Johnny Guitar a 2001: A Space Odyssey, passando por Nosferatu, Taxi Driver ou Vale Abraão.
Quero felicitar e agradecer ao Fila K Cineclube de Coimbra e ao Mosteiro de Santa Clara-a-Velha (dependente da Direcção Regional da Cultura do Centro).
Parabéns! E obrigada!!!
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Beleza Feminina
Há determinados realizadores que têm a capacidade de filmar a mulher duma maneira muito particular. Conseguem enaltecer os traços de cada protagonista feminina e conseguem criar todo um estilo de mulher que associamos de imediato aos filmes desse autor.
Poderia falar de Vadim, Hitchcock, Godard, Truffaut, Tornatore, Antonioni, Fellinni, Bergman; que directa ou indirectamente tinham uma forma peculiar de dar vida ao feminino no grande ecrã. Poderia mencionar tantos outros, mas vou apenas debruçar-me sobre três, do panorama actual, que a meu ver se excedem e se transcendem no acto de filmar este universo.
Começo por Woody Allen: amado por muitos, odiado por outros tantos; uma coisa é certa: Allen tem a capacidade de se debruçar desmesuradamente sobre o universo das relações humanas, particularmente no confronto homem/mulher. As suas protagonistas podem ter personalidades e estilos diversos, mas Allen filma-as com aquilo que parece ser um certo amor pela sua beleza, realçando particularidades de cada uma. Haverá alguém que pense em Mia Farrow ou Diane Keaton e não as imagine de imediato como Allen as filmou? Já nos mais recentes destacam-se Scarlet Johansson, bela por si só, mas que em Match Point é remetida ao patamar dos deuses, ou ainda Penelope Cruz, que (apesar da singularidade da personagem) não parece vulgar em Vicky Cristina Barcelona. Ou ainda tantas outras protagonistas como Rebecca Hall ou Marion Cotillard ou Rachel McAdams, das quais Allen retira da sua simplicidade imagens duma beleza etérea.
Depois, vem o meu preferido: Pedro Almodovar. Embora tenha falado anteriormente de Penelope, devo dizer que não gosto particularmente desta actriz e penso que o único que a filma de forma magistral é Almodovar. Penelope parece ganhar uma nova luz nos filmes deste mestre espanhol, quer em beleza, quer em talento. As suas curvas, as suas formas, a sua voz, o seu sotaque, os seus olhos, os seus lábios, toda ela parece respirar sensualidade nos filmes de Pedro (particularmente na obra-prima Los Abrazos Rotos, que passará esta sexta-feira na RTP2 na sequência do ciclo semanal de cinema dedicado a Almodovar, exibido neste canal). Este mestre espanhol é, a meu ver, a pessoa que mais consegue retirar dos seus actores. Qualquer personagem que Almodovar filma parece-me duma beleza infinita. Quer homens, quer mulheres parece que se revelam no olhar deste cineasta, passando muitos de larva a borboleta, tal é a capacidade de Almodovar sorver o melhor dos seus protagonistas e imagens. No mais recente La Piel Que Habito, Elena Anaya aparece deslumbrante e até mesmo Antonio Banderas parece rejuvenescer. Acho que a capacidade de filmar a beleza e trazer o melhor dos seus actores é uma característica intrinsecamente almodovariana, a qual enriquece as imagens que nos traz de forma soberba.
Por último, vem o mais marcante de todos: David Lynch. O universo de Lynch é muito sui generis e as suas protagonistas também. O realizador consegue captar um certo lado negro e uma beleza dramática de qualquer actriz que passe nas suas mãos. Laura Dern, Isabella Rosselini, Naomi Watts, Patricia Arquette e Laura Helena Harring (o que aconteceu a esta promissora actriz???) metamorfoseiam-se nas mãos de Lynch. Dern é a musa mais querida, aquela que mais povoa o imaginário lynchiano. Watts foi descoberta nesse magnífico e enigmático Mulholland Drive, sendo hoje em dia uma das mais talentosas e camaleónicas actrizes de Hollywood. E, talvez à excepção desta última, sempre que pensamos na beleza duma das outras mulheres, são as imagens de Lynch que nos assaltam.
Filmar é uma arte. Há imagens que marcam e há protagonistas femininas que associaremos de imediato a um determinado estilo de realização, pela notável maneira de memorizar a beleza duma mulher, numa tela para a posteridade.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
O Refúgio
Grande parte da magia do cinema vem de mostrar, sobretudo, a grandiosidade em todo o seu esplendor.
Mostrar cada pormenor e eternizá-lo para sempre na tela e, consequentemente, na memória de quem o testemunha é um acto de magia. Não é a toa que se dizia que os actores são feitos da mesma matéria de que são feitos os sonhos.
E, mais do que eternizar o momento, o cinema tem a particularidade de deixar para o imaginário muitas coisas, nomeadamente o tempo, que parece voar, ou o dia-a-dia rotineiro dos protagonistas, que parece ser inexistente, ou ainda o resto da história, que após a resolução, parece ser de eterna felicidade.
Para além de todos estes pontos, o cinema tem ainda outro factor essencial que contribui para a sua magia o The End no final da película. Embora, agora já em desuso, o The End está sempre subjacente à experiência duma película, que tem delimitação no tempo. Sabemos que vai sempre acabar e sabemos como terminou. Podem ficar variantes por decidir e que podemos debater até à exaustão, mas o todo está lá. Não se pode acrescentar ou retirar nada e essa terminação dá-nos um certo conforto.
Embora, o cinema seja uma imitação da vida, esse conforto cinematográfico apenas surge na vida real quando a história também termina. Só que até a história terminar há imensos, mais do que muitos, momentos banais que o cinema não capta. E, daí o cinema nos parecer tão perfeito e encantador, e a vida muitas vezes insípida e imperfeita.
E é por essa razão que o cinema é o refúgio por excelência. É esta a magia do cinema: resumir a vida aos momentos que marcam a memória.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Os Solitários Do Cinema
Os solitários do mundo cinematográfico apaixonam-nos: temos o eterno James, o divertido Indy, o ganancioso Gordon, o mafioso Michael, o politicamente incorrecto Tony, o aparentemente carrancudo Don, o resistente John, o atormentado Brick, o insubordinado Luke, entre muitos e tantos outros que povoam desde sempre o nosso imaginário.
É no seu cepticismo, na sua descrença que o mundo se revê. Personagens de carácter incerto e de falsa seriedade, interrompida frequentemente, pelo certeiro (e algo cínico) sentido de humor acutilante.
O solitário tem fantasmas, tem segredos, não sabe quem é, mas tenta descobri-lo (um pouco mais) na interacção com os que o rodeiam. E, afinal, o que é a vida senão isso? O que é a vida senão descobrirmo-nos, constantemente, no contacto com os outros? Socializar: veículo único de chegarmos ao fundo de nós próprios e, em antítese, expoente máximo de solidão. É no olhar dos outros que nos revemos ou nos ausentamos. É no reflexo desse olhar que vemos o conforto dum espelho ou a crueza duma parede. É algo de que, simultaneamente, se depende e se abomina. E é nesse curioso jogo que o solitário se revela, um pouco mais, a quem realmente importa: ele próprio.
domingo, 9 de outubro de 2011
A Música No Cinema
Embora não negue que o cinema começou mudo e existem grandes filmes sem som (tenho particular carinho pelo A Caixa de Pandora (Die Büchse der Pandora) de Pabst, com uma apaixonante Louise Brooks), creio que grande parte do magnetismo do cinema vem dos sons que acompanham as imagens.
A música (ou a ausência da mesma) é uma peça chave para definir toda uma cena.
A música é a única coisa do mundo que consegue – instantaneamente – que o nosso humor melhore (para além de nós próprios, claro) e, nesta base, a música é definidora das sensações que as imagens nos transmitem.
A banda-sonora dum filme é algo único e marcante; algo que nos apaixona e nos acompanha, muito depois da experiência visual da obra.
As imagens ganham outra dimensão quando acompanhadas duma melodia; tal como um dia cinzento parece ganhar mais cor, quando escolhemos uma música animada.
Quantas e quantas vezes não fico siderada pela melodia dum determinado filme, escutando-a dias a fio, como que revivendo uma e outra vez a experiência cinematográfica.
O que seria do dramatismo de The English Patient sem aqueles marcantes acordes de Yared; ou do misto de descoberta e ternura do voyeur de Maléna sem aquela maravilhosa melodia de Morricone; ou da violência acutilante de A Clokwork Orange sem a 9ª Sinfonia (ou por outras palavras: a 9ª Sinfonia nunca mais foi a mesma); ou do impacto de qualquer cena Tarantinesca sem as loucas músicas escolhidas a dedo? (Isto só para dar alguns exemplos).
O poder da música é reconhecido em qualquer lugar, em qualquer cultura, em qualquer crença. A música é uma maneira do ser humano se expressar. Pode ser uma forma de amar, pode ser uma forma de revolta, pode ser uma forma de cura, pode ser a maneira de dizermos o que não se consegue ouvir de outra forma. A música é uma linguagem universal e, como tal, é veículo imprescindível no cinema. A música é uma poderosa mensageira e consegue transportar-nos para um mundo de fantasias, pode levar-nos a outras épocas, pode desencadear as mais variadas sensações.
O poder da música é infinito e, por isso, a música é decisiva para a grandiosidade dum filme.
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